Uma semana volvida e tu continuas internado pequeno principe.
Os resquícios da operação ainda são visíveis mas o inchanço do teu crânio tende a desaparecer. Estás porém vulnerável, vítima de um hospital onde correm velozes vírus de outros inocentes. Não comes e tiveste que ser de novo picado, várias batas brancas atrás de uma veia que não aparecia. Que pensarás tu, meu querido?
Onde estou? Porque estou aqui? Por que me querem tão mal as batas brancas? Porque me fazem mal? E porque não posso sair daqui? Porque estou privado do meu mundo? E porque não vêem ver-me?
Um mundo de interrogações para as quais, fora as devidas excepções, também nós não temos resposta.
Apetecia-me pedir ao teu tio M. que fizesse uma "contestação" contra o Hospital labiríntico onde tu estás, no sentido de autorizarem visitas rotativas. A tua avó está exausta querido e eu não posso rendê-la porque é o nome dela que consta do formulário. Questiono-me porém se tu ficarias sózinho comigo. Está habituado ao seu mimo e ao seu colo, às suas mãos sábias e exprientes. E não abdicas dela.
Consegui ver-te à socapa, façanha memorável de um médico conhecido que estava na urgência. Agradeci-lhe a prenda inigualável que me deu ao proporcioná-lo.
Estranhei a tua ausência de cabelo, as tuas bochechas e os teus caracóis mas reconheci o teu sorriso e tive tudo. Ofusquei-te e roubei-te para mim. Fizemos tétés nos espaços inertes, frios e obsoletos da ala onde te colocaram. Consegui arrancar-te sorrisos. Abrimos e fechámos portas e jogámos à tua brincadeira favorita: escondidas (na qual, invariavelmente, tu te escondas sempre nos mesmos sítios).
E depois fui obrigada a deixar-te e o sol ficou contigo.
Falta pouco meu querido. E depois vamos atrás do sol de mãos dadas.
Tuesday, February 24, 2009
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